Tuesday, July 12, 2016

Thursday, June 30, 2016

Minha amiga F.

Claro que sei quem tu és... porque este blogue só tem aí uns três leitores (leitoras...), incluindo eu, e só uma delas é que diz yupi (se não fores a F. e fores a B., a outra leitora, disfarçaste bem :-))

O teu comentário levou-me para o mundo dos vestidos de noiva, assunto que - já sei - não assiste a nenhuma das duas... TODAS as noivas que conheci me responderam sempre à pergunta "Como é o teu vestido?" com "É muito simples". E isto inclui uma pessoa que tinha um vestido cheio de rendas, com atilhos e outra que tinha um folho e rosas vermelhas do ombro à anca.

Ou seja, nunca ninguém admite que é complicado, que mete demasiadas coisas nas malas de férias, que é maluquinho dos horários e das organizações, e por aí fora. Já o contrário é possível - pessoas que apregoam (talvez para se começarem logo a desculpar de falhas futuras) que são desorganizadas, pouco pontuais, não respondem aos mails... Se calhar, lá bem no fundo, todos achamos que somos práticos, mesmo que isso signifique usar trâs toalhas para limpar o corpo depois do banho, como ouvi uma vez (uma para a cabeça, outra para o corpo, outra para os pés)... Lá está, pouco prático seria usar sempre a mesma, que jeito é que isso dá?

Tuesday, June 28, 2016

Faz bué tempo

Que por aqui não passsava... cheguei e encontrei a casa vazia, mas cheia de baratas e teias de aranha, que é como quem diz cheia de mensagens de spam...

O que me fez cá vir foi este artigo, das famílias descomplicadas, depois de um almoço em que falávamos desta nova geração de pais que me enerva... os seus meninos nunca têm a culpa, os professores nunca estão à altura dos seus meninos, e por aí fora...

Agora, o meu problema é o seguinte: para mim, nada é complicado, tudo é fazível, desde que haja vontade e nos faça felizes. E assim acabo a gerir agendas com coisas para fazer num dia que caberiam em três ou quatro dias "normais". E o tempo voa e acabo cansada. Mas feliz, pronto.

Thursday, April 9, 2015

Vamos lá a acabar com isto, sim?


Adorei este vídeo. Em especial porque o vi logo a seguir a ter lido uma notícia horrível, que nem vou descrever. Há esperança, acho, e muito já se melhorou neste campo. Já ninguém acredita que "elas merecem" ou que "ninguém mete a colher". Mas da condenação social à eficácia da justiça e à erradicação das práticas vão passos ainda grandes. Grandes e urgentes.

Monday, March 16, 2015

Arrumar ou fazer algo que nos faz felizes?

Ontem, 15 de março, fez 97 anos que a minha avó paterna nasceu. Morreu com 93, o que quer dizer que tive duas avós até aos 39 anos, o que fez - sem dúvida - de mim uma pessoa melhor. A minha avó materna, também já nonagenária, continua ainda esta tarefa.

Aprendi muita coisa com a minha avó, mas - nos últimos dias - lembro-me muito de uma frase que ela - que apesar de cozinheira exímia e dona de umas mãos de fada não gostava de trabalhos domésticos - dizia:

"O trabalho de casa nunca está feito."

Ou, como dizia uma aluna a uma colega:

"Doutora, o trabalho nunca acaba" (e o de casa então... - diria eu).

 

Friday, March 13, 2015

Pois é, mas quando são os nossos, são os nossos...

Já disse (disse?) tudo o que tinha a dizer sobre esta porcaria deste ministro e destes programas escolares, mas acho que ainda não falei dos quadros de honra. Tudo bem, é fixe incentivar os alunos, mas esta coisa de afixar nomes e distinguir os "excelentes" lembra-me o tempo da outra senhora e faz-me comichão no cérebro. Porque devia haver um quadro de honra para o desporto, para os bons amigos, para quem espalha alegria, e por aí fora, já que todos somos bons a alguma coisa. Mas não, são os valores numéricos que contam. Dito isto, enfim, mãe é mãe, e não deixo de ficar orgulhosa (ao ponto de postar sobre isso...) quando recebo uma carta a dizer que a miúda foi a melhor aluna do ano dela no ano letivo passado. 

Thank God is Friday!

Quando andava na escola, havia um autocolante com um miúdo com um ar feliz e a frase em epígrafe. Nos últimos tempos, sinto sempre uma enorme vontade de que chegue o fim-de-semana, quer porque têm trazido momentos de grande alegria e diversão, como ver o A. orgulhoso a ganhar combates de judo, ou a R. toda penteadinha para as exibições de acrobática, quer porque - mesmo na agitação do leva e trás - preciso mesmo de descanso...

Mais duas semanas e quero um autocolante a dizer "Thank God for Eastern holidays!".

Wednesday, March 4, 2015

Feitas as contas...

...o segundo período só tem dez fins de semana. Como fazer caber em tão pouco tempo tanta atividade?

Tuesday, February 24, 2015

Temos escuteiro!

Quando, há um ano e tal, o A. me disse que queria ir para os escuteiros, foi com alegria que corri a inscrevê-lo. Primeiro, porque é raro ele pedir para começar uma atividade nova, depois porque guardo memórias maravilhosas dos tempos que passei nas Guias. Suponho que o pedido dele terá também a ver com o entusiasmo com que, ainda hoje, conto histórias desse tempo.

Começado o ano letivo, lá o temos levado às atividades, mas - embora sem resistência - não víamos ali muita vontade de continuar. A prova de fogo, achávamos, seria o primeiro acampamento, no Carnaval.

Lá partiu, de mochila às costas, quase maior do que ele apesar de pequena. E eu fiquei com o coração apertadinho, à espera do regresso. E o sucesso foi retumbante. O sorriso, o entusiamo, as histórias, a vontade de continuar eram contagiantes.

No fim-de-semana passado foi a promessa. Foram dois dias em cheio e a alegria foi enorme, para todos nós.

E obrigada e todos os chefes do agrupamento, que equilibram maravilhosamente atividades e emoções.


Monday, January 19, 2015

Quem canta seus males espanta

Ser mãe é uma mistura explosiva de terror, amor, orgulho, ansiedade, cansaço e amor e mais amor. Mas, quase sempre, quando pensamos neles pensamos em nós (O que devo fazer? Como posso ajudar? Deixo ou não deixo?). No fundo, a nossa preocupação são os filhos, mas nunca descentramos do nosso eu de mães.

Mas, às vezes, eles trazem-nos surpresas maravilhosas, em que nos lembramos de que - e cada vez mais, à medida que crescem - eles são eles e não são apenas os nossos filhos.

É isso que sinto quando ouço a R. cantar. Sempre gostei de coros, de concertos de Natal e sem ser de Natal. E sinto-me privilegiada quando assisto aos concertos dos vários coros por onde ela passa. Como mãe, claro. Mas também como espetadora e há dias em que acho isso estranho :-).

Friday, January 16, 2015

Não podemos mudar o chip?

Há 20 anos, Bob Geldof cantava esta música no mítico Live Aid. Foi o maior sucesso da sua banda, os Boomtown Rats, e a letra baseou-se naquele dia em que uma adolescente americana acordou uma segunda-feira de manhã e massacrou a tiro os seus colegas da escola. Quando lhe perguntaram porquê, respondeu "I don't like mondays". A letra fala do momento em que o seu "chip" entrou em sobrecarga e das expectativas que o pai tinha para a sua doce menina. Bob Geldof cantou-a com a alma de quem estava a realizar um sonho - o de matar a fome às crianças da Etiópia através da música.

Lembrei-me várias vezes desta música nos recentes acontecimentos. O que sonhariam as mães dos assassinos e das vítimas dos acontecimentos das últimas semanas? Em que momento é que, ao contrário do que diz a música, passa a haver uma razão para morrer?

Hoje, uma amiga colocou um link para uma outra música, que adoro, de um dos meus cantores preferidos, o Billy Joel. Ainda por cima, com um dos meus atores de eleição a tocar harmónica! Fez-se uma estranha associação na minha cabeça entre as duas músicas. Porque não há nada pior que acharmos que não somos nada e que já nada vale a pena. 

Porque, como vemos todos os dias à nossa volta, o mundo não muda ao mesmo ritmo para todos nem de repente, mas muda. E está melhor e mais humano do que há cem anos atrás. E, no nosso cantinho, podemos lutar para mudar o bocadinho que nos coube em sorte. Porque, "não há justiça sem liberdade e vice-versa também é verdade", e vale a pena lutar por ambas.

Friday, August 1, 2014

E pronto...

Eis que chega mais um ano ao fim. Em jeito de ida para férias, deixo um link a que achei piada: http://inesperado.org/2014/02/04/as-20-coisas-que-eles-nao-nos-disseram/

Tuesday, July 29, 2014

Então é por isso que há quem queira ter muitos filhos...

Alguém me explica como é que já vou para a praia com uma miúda de óculos escuros e saco à tiracolo?

Felizmente, ainda temos o mais novo para se rebolar na areia e lambuzar com os bolos da Cecília...

Adoro! Ambas as fases :-).

Thursday, July 24, 2014

Portugal ressuscitado

Depois das notícias de hoje, em que parece que há esperança para acabar com os inimputáveis das finanças, e inspirada pelas entrevistas que tenho ouvido, onde admiro a capacidade de perdoar, mas me choca a justiça que ficou por fazer, aqui fica:

http://www.youtube.com/watch?v=_SaaACW5bHQ

Wednesday, July 23, 2014

No limite da dor

Este programa é absolutamente fantástico. Está a ser reposto na Antena 1 e pode ser ouvido no link abaixo. Nem consigo descrever o que senti quando ouvi o testemunho de um colega que admiro e cujo passado e experiência de tortura desconhecia por completo. 

http://www.rtp.pt/play/p1379/e142657/no-limite-da-dor

Wednesday, July 9, 2014

Factos (consumados)

Ok, só o facto de trazer este tema para aqui, de o escolher como objeto de um post mostra uma opinião. E mãe que é mãe nunca é isenta. Mas, ainda assim, vou descrever os factos como eles ocorreram:

- R. foi hoje cortar o cabelo;
- Disse que queria cortar três dedos e assim foi;
- Quando acabou, chorou durante o caminho todo, dizendo, "odeio o meu cabelo";
- Durante todo o caminho, a mãe diz que está como ela queria, que a única solução é cortar um dedo de três em três meses e não três dedos uma vez por ano, que não está curto, que está bem, etc.
- A caminho, pediu o pente e penteou-se;
- Chegada ao trabalho da mãe, pede para lhe tirar fotos do cabelo nas costas, do cabelo com rabo de cavalo, para enviar via What's up para a amiga que lhe diz que nem se nota que ela cortou.

Thursday, July 3, 2014

Balanço

Ora bem, parece que chegou o verão. As férias, ainda não, mas (embora falte ainda entregar dois textos este mês) o ritmo está finalmente a abrandar.

Reparo que não escrevia aqui desde março. E muitas coisas se passaram desde então, umas boas, outras bem tristes, mas suponho que é sempre assim...

Em jeito de revisão pré-estival, ficam então alguns apontamentos, concentrando-me nas coisas boas:

- foi um ano letivo muito trabalhoso, com muitos desafios. E todos eles foram superados. Acho que não é possível sentir mais de orgulho do que aquele que sinto pelos meus miúdos, que são ESPETACULARES em tudo e em particular no facto de nunca se armarem em bons.

- o meu computador avariou. As minhas costas e a vida familiar agradeceram-me. Não levar trabalho para casa foi o melhor que me aconteceu nestes últimos meses. Enfim, ainda tenho os papeis para ler, os testes para corrigir, os mails para consultar no telemóvel, mas o facto de não poder escrever texto revelou-se uma experiência tão boa que decidimos não comprar um computador novo e ir poupando para comprar um i-pad com um teclado lá mais para o ano (e nessa altura, quem sabe se não vamso antes de férias com o dinheiro?).

- as férias em Londres foram uma bênção de 5 dias. Não imaginava como precisava delas até elas terem chegado. Um enorme obrigada à S., que nos acolheu na sua casa de estrela de cinema.

- os crismas do A. e da P. foram momentos de enorme alegria. É um enorme privilégio fazer parte do caminho que eles escolheram traçar.

- o facto de ainda sermos uma família de quatro gerações.

- e de muitos momentos que podia escolher lembrei-me agora da ida com a J. e a R. ao concerto do Miguel Araújo, no Olga Cadaval. Foi tão, mas tão bom. Vou já ouvir a música.
  

Tuesday, March 25, 2014

O tempo em março

Faz hoje precisamente onze anos, a primavera também era fria e chuvosa. Março, digam o que disseram, não é ainda um mês quente e tenho-o comprovado nestes últimos onze anos.

Desde há onze anos, sei também que a hora muda no último fim-de-semana de março, porque tenho de avisar disso os convidados, quando a festa calha ao domingo (já agora, também sei, há sete anos, que muda de novo no último fim-de-semana de outubro).

A natureza e as convenções do tempo são portanto relativamente estáveis. Mas eu posso garantir que tudo muda quando olhamos para elas com olhos de mãe.

Parabéns, R.! Que a vida te sorria sempre.

Friday, March 21, 2014

O amor ao próximo

Um destes dias, estávamos a falar dos primos e diz o A.:

- Gosto tanto da N.! Gosto mais dela do que de mim.

Foi das coisas mais bonitas que ouvi nos últimos meses.

Friday, March 7, 2014

Olhem para o diálogo fraternal que acabei de ouvir

- Burro!
- Eu sou um burro, tu és uma vaca, tu dás-me leite e eu dou-te caca.



Sunday, March 2, 2014

A vida é sempre para a frente

Tenho uma família grande e feliz. Com as suas coisas, claro está. E por "coisas" quero dizer tudo o que pode caber em pequenos (ou grandes) desentendimentos, embirrações, momentos de tensão, aqui e ali. E figuras carismáticas.

Imagino que todas as famílias as terão, claro está. E cada um deve achar as suas melhores do que as dos outros, suponho eu. Falo daquelas pessoas que nos inspiram num ou noutro momento marcante da nossa ou das suas vidas, de quem sempre nos lembraremos, cujas histórias ou frases citamos no nosso dia-a-dia.

Essas pessoas são, por uma ou outra razão, os nossos pilares enquanto crescemos e os nossos guias quando ficamos adultos. Mesmo quando já não estão cá connosco. 

Uma pessoa que perdemos recentemente disse-me uma vez, com grande tristeza, que os nossos pilares estavam todos a desaparecer. Por vezes, não consigo deixar de lembrar essa tristeza, mas a maior parte dos dias sinto uma enorme alegria, felicidade e gratidão por ter - ou ter tido - essas pessoas na minha vida. E, por extensão, na vida dos meus filhos e de quem me ouve contar histórias sobre elas.

Uma dessas pessoas é a minha tia-avó E. Hoje, do alto dos seus 98 anos, disse-me estar cheia de esperança de melhorar de um joelho que a tem atormentado, depois de uma queda feia. E de uns dias difíceis que passou. Dizia-me ela "Eu não sou muito piegas, nem de esmorecer, mas tive aí umas semanas em que nem me levantava. Mas agora estou melhor e parece-me que sim, que isto se vai resolver".

Depois disto, o que é que não se resolve?

Thursday, February 20, 2014

Coisas de que não me quero esquecer #3

Ao longo dos últimos vinte e quatro (sim, vinte e quatro!) anos tenho trabalhado, em projetos e temas diversos, com a minha amiga G. Desde os trabalhos da faculdade, feitos a desoras no sótão dos pais dela, a sagas e diretas associativas, passando por mil e um pequenos projetos pessoais ou profissionais. Estas colaborações fazem parecer fácil uma coisa que não o é (mesmo nada) - trabalhar sem perder a amizade e ser amigo independentemente das questões de trabalho, fazendo com que estas duas dimensões se complementem e fortaleçam com o passar dos anos.

São tantas as ocasiões que já não as consigo enumerar todas. Ainda hoje recebi um mail com mais uma parceria cheia de qualidade e boa onda. Mas vou recordar aqui uma, porque é um bom retrato da loucura dos anos noventa, na era pré-internet. Foi quando, depois de uma noitada a fazer um trabalho para o mestrado, o computador de casa dela pifou. E, com uma apresentação para o dia seguinte, metemo-nos (nós e a disquete com o trabalho) no carocha vermelho e fomos acabar os quadros e gráficos madrugada fora no meu velhinho 240k (com 20mb de disco). Desenhados à mão, em wordperfect...
Ver blogue

Tuesday, February 18, 2014

Há dez mil anos atrás

De novo os Xutos. Desta vez para uma das melhores canções de amor que ouvi nos últimos tempos. Já sei, é como todas as músicas deles, algumas rimas parecem vir como o nome da banda, aos pontapés. Mas o ritmo e a força são incomparáveis. Dão vontade de saltar para a pista e fazer figuras tristes, como fazíamos, apaixonados, há dez mil anos atrás. Ou ainda hoje, segundo os meus filhos que acham mal os pais andarem sempre aos beijos. O A., um destes dias, dizia-me - com um ar muito crítico - que os avós já não andavam assim. Adivinhava-se-lhe uma esperança na voz de que a idade nos melhore.

Thursday, February 13, 2014

Coisas de que não me quero esquecer #2

São poucas as pessoas que me lembro de conhecer. Lembro-me de ir ver a minha irmã quando nasceu (melhor dizendo, lembro-me de estar a brincar com as manivelas da cama articulada onde a minha mãe estava deitada quando ela nasceu), mas não me lembro de conhecer praticamente mais ninguém das pessoas que me são próximas (e não, não me lembro de conhecer o meu marido, nem a maior parte dos amigos).

Há uma exceção, a minha prima P. Lembro-me como se fosse ontem do dia em que o pai dela, na cozinha da minha avó, me disse "Esta é a tua prima P.". Devíamos ter uns 6/7 anos. Decerto já tínhamos estado juntas em pequeninas, mas ela não vivia cá e esse foi, como o futuro iria ditar, um dia muito importante para mim.

Tuesday, February 11, 2014

Coisas de que não me quero esquecer #1

Inspirada no blogue de que sou fã, dou início a uma rúbrica de alguma coisas de que não me quero esquecer. E não, não falo das minhas costumadas distrações, falo de coisas mesmo fixes, como as do post anterior. Vou começar pelas mais antigas.

Aqui vai uma: nunca hei-de esquecer-me do dia em que chegámos a SMP, depois de uma viagem de várias horas (4 adultos + 2 crianças no carro, no tempo em que a autoestrada do Norte terminava em Vila Franca ou Aveiras), e o meu pai disse:

"-Ainda bem que te trouxemos, filha, se não fosses tu quem é que tinha vindo a falar desde Lisboa?"

E lembrei-me deste dia porque no Domingo passado a R. falava, falava, contava, contava e o Miguel disse que não havia dúvidas de quem ela era filha. Igual ao pai nas cores, à mãe na língua.

Thursday, February 6, 2014

E coisas fixes, não tens?

Tenho, sim senhor. Muitas. Não mudam o mundo, já se sabe, pelo menos todo de uma vez, mas deixam alguns de nós mais felizes, mais completos, até mais serenos. Aqui vão algumas:

- Este ano vou ser madrinha não de um, mas de dois afilhados de crisma. Ouvir o A., já com voz grossa, a pedir-me foi muito bom. Por muitas razões, mas em especial porque me lembro como se fosse hoje do dia em que me pediram para ser a sua madrinha. No Colombo :-), ainda dentro da barriga da mãe (que também quase vi nascer). Duas conclusões: estou velha e ele fez-se um homem impecável. Quanto à P., palavras para quê? Já temos tantos laços de afinidade, que este podia ser só mais um. Mas não é, é especial. É também uma confirmação entre nós.


- A R. está tão, mas tão crescida. Ela foi sempre crescida para a idade, mas agora já podemos ver juntas filmes como A testemunha, que vimos quando ela esteve com gripe e que fez questão de rever com a avó. E eu continuo a não ter saudades de eles serem pequenos, só tenho medo de me esquecer muitas coisas das fases passadas.


- O A. progride em sagacidade de uma forma que me deixa sempre desarmada. Um dia destes, chegou à escola, pousou a mochila e disse qualquer coisa como "Deixa por aqui as pedras". A auxiliar perguntou-lhe de que estava a falar. E ele disse "Da mochila, está tão pesada que parece que tem pedras!".


E como é tarde, fico por aqui. Mas mais virá :-)

Pontapés na alma

O novo disco dos Xutos é tão bom como de costume, mas pôs-me a pensar nas letras mais do que é habitual.

Numa das músicas, o "narrador" passeia o cão numa cidade decadente, de lojas fechadas. E, para cúmulo, o cão não é dele. É do irmão. Que "emigrou para o Tibete, faz-lhe festas pela internet".

Pensei logo no A. e no seu melhor amigo, agora no Dubai, que brincam longas horas via skype aos sábados (porque ao domingo lá é dia de escola). Tenho tentado não entrar em nostalgias e fatalismos com esta história da emigração. Primeiro, porque mesmo antes da crise os mais jovens já andavam a correr mundo. Depois, porque este mudou, as viagens mudaram, os empregos mudaram. Aliás, a avaliar pelas notícias desta semana, é muito mais fácil ir ao médico a Londres do que um miúdo de Bragança arranjar um hospital a menos de 400km de casa.

E este corropio de gente a ir e vir não é exclusivo de Portugal. A facilidade com que se muda de casa, de cidade, de país, é cada vez maior e muito dificilmente as coisas voltarão ao que já foram, a globalização veio mesmo para ficar. Mas, sabendo tudo isto, não deixo de sentir um espinho na alma quando penso que uma coisa é querer ir, outra é ser obrigado a fazê-lo. E nem sempre para melhores condições.

Quando vejo o facebook de uma jovem que conheço que está neste momento a começar o seu estágio de sonho, no Japão, fico contente por o mundo ser todo dela. Mas o facto de este implicar horários de trabalho perto do desumano, deixa-me a pensar que a compensação de se estar no lugar sonhado poderá não compensar se essa for a única diferença entre estar ali ou numa fábrica a fazer chouriços a metro.

Não tem conclusão, este post... as verdadeiras boas e más consequências ainda estão para se ver e saber.

Friday, January 24, 2014

Na injustiça, tudo se mistura

As notícias das últimas semanas têm sido duras de roer. Há três temas em particular que me têm revoltado: o referendo, a praxe do Meco e a política de educação e investigação. Todos revelam quão longe estamos da tolerância, do amor como objetivo de vida e de acertarmos o passo num caminho para um país melhor para os nossos filhos.

Normalmente, sou bastante apaziguadora e tento ver o outro lado da questão, mas confesso que nestes assuntos não tenho conseguido. Em que é que impor uma moral que dificulta a vida de crianças pode ser bom e justo? De que forma é que criar critérios de base injustos (já para não falar nas trafulhices de vão de escada) para selecionar pessoas e projetos pode ajudar a um futuro melhor? E o que passa na cabeça destes jovens que humilham e se sujeitam a ser humilhados até à morte?

O que realmente me bule com o nervos, e por isso tudo se mistura, é que há uma caraterística comum a estes três casos: a estupidez. No seu pleno e em tudo o que ela tem de desonesto, insensível e cruel. Um estúpido é alguém que não quer saber das consequências dos seus atos (estúpidos). E tudo isto tem consequências para o (nosso) futuro. Mas parece que não há limites para a estupidez.

Muita coisa boa tem também acontecido e disso falarei a seguir. Mas não vamos misturar género humano com Manuel Germano, como diz o Mário de Carvalho.



Monday, January 6, 2014

Tudo, mas mesmo tudo, o que vem à rede

Em primeiro lugar, um feliz ano de 2014! Nunca é demais desejar a todos que sejamos felizes, que ponhamos a felicidade onde estamos.

Em segundo lugar, muito obrigada a todos aqueles que ajudaram a que 2013 tenha sido um ano cheio de coisas boas. Desde uma nova sobrinha a bons momentos de conversa e trabalho interessante, 2013 foi recheado de momentos que me encheram o coração e me deram imensa alegria. OBRIGADA!

Entre esses momentos, está tudo o que esteve relacionado com a nova escola da R. A única exceção será talvez a comida da cantina nos dias de peixe. Que não traz alegrias, mas traz algumas gargalhadas. Porque (in)felizmente me farto de aprender sobre zoologia marinha e espécies de peixes comestíveis. Ainda em 2013, descobri o que era a arinca. Mal começa 2014 e já descubro o peixe-prata ou peixe-cadela. O que, na prática, quer dizer que quarta temos de preparar almoço para ela levar.

Thursday, December 19, 2013

Em entrevista à Antena 1, disse Frei Fernando Ventura, a propósito do Papa Francisco ter sido personalidade do ano da Times, estarmos a

"...ver nascer uma consciência coletiva de criação de redes de relações. É a partir do nós e a partir desta consciência de sermos nós capazes de transformar a história que a história se transformará. As instituições só por si não mudam, mudam as pessoas que estão nas instituições e mudam a pessoas que fazem parte delas."

Parece-me uma boa mensagem para 2014.

Wednesday, December 18, 2013

Dezembro e não Natal

É Natal. E Natal é, para mim, uma época de partilha, de nos lembrarmos daqueles de quem gostamos, de estar em família, de alegria. E de esperança, também.

Claro que nem sempre os natais são só alegria e claro que sei muitas pessoas pensam de forma completamente diferente. Tem a ver com a vida, as experiências, as crenças de cada um. Mas a maior parte daqueles que conheço para quem o Natal não é importante pede apenas que não a obriguem a fingir o que não são e deixam em paz quem vive e época intensamente.

Foi por isso que fiquei triste quando hoje uma pessoa que respeito bastante fez questão de dizer "até para o ano" por não querer desejar boas festas. Caramba, qualquer dia nem podemos dizer "bom dia" se estiver a chover.

E só mesmo por isso quero desejar a todos um Natal muito, muito feliz, cheio de alegria. E que 2014 nos surpreenda por boas razões!

Wednesday, December 11, 2013

São dias que passam, são horas que vão...

Ontem à noite dei uma leitura nos textos deste estaminé, desde que ele foi criado. A par de lembranças de grande alegria e da constatação de que os meus filhos crescem que se farta mas continuam a ser uma enorme fonte de alegria, entristeceu-me ver como este pequeno país tem mudado para pior, em alguns aspetos fundamentais, dos quais destaco a educação.

Esta política (este governo também, mas sobretudo esta política) mata-nos o passado, o presente e o futuro. O passado porque retira dignidade a quem trabalhou e descontou dezenas de anos, o presente porque estamos de tal forma tolhidos a pensar em como chegar ao fim do mês, do ano, que nem temos vontade para chutar para a frente e o futuro porque um país que não investe na educação não tem futuro.

Olhando para trás, vejo décadas de grandes avanços. Mas, como dizia ontem um colega, estamos a andar para trás mais depressa do que andámos para a frente.

A minha maior esperança reside no facto de não sermos os mesmos de há vinte anos. Somos melhores, mais informados, mais capazes de dizer que não, de ver que o mundo é grande e que os nossos governantes é que são pequeninos, pequeninos.

E como vejo à minha volta projetos bons, a serem reconhecidos, premiados, divulgados, acredito mesmo que há esperança. Agora, temos de parar de dar os nós na corda que nos vai enforcar. E isso depende de nós e de mais ninguém. Mas o tempo está a passar, e muito dele é perdido naquilo que não interessa - burocracias, guerras internas, superegos...

Portanto, para 2014, o meu firme e único objetivo neste campo é: chutar à baliza.

Tuesday, December 10, 2013

Um dos meus preferidos...

NATAL, E NÃO DEZEMBRO

Entremos, apressados, friorentos,
num gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,...

no prédio que amanhã for demolido...

Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...

Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira

Monday, December 9, 2013

E isso resulta? Se resulta!

Estamos a chegar o fim do 1º período. Foi cansativo. Não teria sido possível sem as muitas ajudas dos avós. Mas o balanço é muito, muito positivo. A R. está a adorar toda esta nova dinâmica e a sair-se muito bem em todos os desafios. O A. cresce todos os dias, com os olhos no futuro. Ontem estava a ponderar guardar uns euros que tem lá numa carteira para quando chegasse ao 5º ano gastar na papelaria ou no bar!

Thursday, October 31, 2013

Business as usual

Parece que, finalmente, estamos a acertar numa rotina e que as semanas já não parecem ter 10 segundos, passando num abrir e fechar de olhos, sem darmos por elas nem prestarmos atenção a nada nem a ninguém sem ser à nossa própria lufa-lufa.

A coisa mais positiva de tudo isto é que praticamente não tenho lido jornais, visto televisão ou sabido notícias fora do Facebook. E, por este, tenho sabido imensas coisas boas: amigos que ganham prémios e projetos, noivados, aniversários, empresas que pessoas estão a começar... pelo meio, adivinho uma broncas, mas nem sei bem do que falam. Assim, tive de fazer buscas no Google para saber o que eram os sururus em torno do casal Carrilho e das bocas mandadas ao Ronaldo. E, como suspeitava, foi tempo perdido.

A conclusão é que vou tentar manter alguma desta hibernação informativa para os próximos meses. Aproveito, que está na época dela e só acordo para a "silly season" de 2014.


Monday, October 21, 2013

Representatividades

Numa altura em que estamos a regredir a olhos vistos em condições várias, nomeadamente na educação, parece-me que era de fazermos todos um esforço para unir esforços, passo a repetição. De maneiras que fui à reunião de pais da escola da R.

Agora, numa escola com mais de mil alunos, quantos associados tem a Associação de Pais? Vinte.

E é aqui que fico indecisa. São vinte porque são simpáticos mas inoperantes e mais vale não ir lá? São vinte porque a escola tem (felizmente) poucos problemas e os pais não sentem necessidade de se associarem? São vinte porque essa é a representatividade normal do nosso país?

Não sei, mas que me deprime um pouco, deprime. Ainda vou dar o benefício da dúvida mais uns tempos e depois direi.

Friday, October 18, 2013

I wanna learn how to fly!

O facto de a R. andar numa turma de música proporciona momentos deliciosos. Um destes dias, à saída da escola, juntámos vários pais a combinar algumas questões logísticas, derivadas dos horários de loucura. Os miúdos aproveitaram o tempo para subir para o muro da escola, a dançar e a cantar. Juro que me senti no Fame - versão 5º ano.

Tuesday, October 15, 2013

Mini ASAE

A semana passada, o J. fez uma sopa de legumes que, entre outros, levava courgettes. Como sempre, passou tudo bem passadinho, que sopas com legumes inteiros não têm grandes adeptos lá em casa. Mas, enfim, lá escaparam uns bocados de pevides.

À noite, diz o A., com um sorriso malandro: - A sopa estava horrível, parecia que o papá tinha cortado as unhas lá para dentro!

Wednesday, October 9, 2013

Amnésias notunas e diurnas

Com toda o acompanhamento de que a R. precisa, nestas novas aventuras do 5º ano, tenho passado menos tempo com o mais novo e tento apreciar ao máximo todos os minutos em que o vejo (bem-disposto, porque confesso que os momentos em que eles gritam e andam à pancada são difíceis de apreciar).

Hoje fui acordá-lo de manhã, com milhares de miminhos e beijinhos. Adoro a cara dele a dormir, ainda tem ar de anjinho pequenino. Perguntei-lhe com que tinha sonhado e ele disse que não se lembrava, o que mostra mesmo um sono de anjo, como no anúncio de televisão.

Passado um bocado, estava a perguntar-lhe que atividades tinha hoje na escola e o que tinha feito na aula de ginástica de ontem. E ele disse-me:

- É como no sonho. Não me lembro.

Wednesday, September 18, 2013

E o mundo que é tão grande

A R. lá está, deslumbrada com a escola nova, ainda um pouco à toa com o seu tamanho, horários e regulamentos. Suspeito que, mais do que tudo, ela gosta da sensação de lá estar, de ser mais crescida e obrigada a novas responsabilidades.

E teve sorte. Com a turma, com os professores, com a família que dá uma imensa ajuda.

Mas anda um bocado chocada com a forma como algumas pessoas falam aos alunos. Aos gritos, sem lhes explicar as coisas com calma. Ela acha ofensivo, porque diz que é bem educada.

Nós tentamos explicar que a escola tem 1000 alunos e que há regras para cumprir senão era o caos, que a senhora do bar tem de gritar porque ninguém a ouve e repete a mesma coisa centenas de vezes por dia, que o início do ano foi complicado e toda a gente está preocupada porque muita coisa ainda não está resolvida.

Mas, na verdade, ela tem toda a razão. Não é preciso gritar para se fazer entender. Claro que, em abono da verdade, estas atitudes não me parecem ser a norma, antes pelo contrário. E é mais ela a ambientar-se ao anonimato do que outra coisa qualquer. Mas para quem vem de uma escola onde as professoras fazem formação em Educação pelos afetos, porque dizem que estão há trinta anos a fazer formações de conteúdos e isso já não lhe interessa, o choque é realmente grande.

O que só nos deixa felizes por termos optado pela escolinha deles para o primeiro ciclo e por esta mudança nesta altura.

Thursday, September 12, 2013

ora bem...

Eis que começa um novo ano, que para mim os anos continuam a ser letivos, e começam logo a seguir a umas (desejavelmente) retemperadoras férias.

Estas - as férias - foram MUITO boas. Para mim, quaisquer férias sem idas a hospitais e funerais já são um sucesso garantido. Ou seja, sem as preocupações e tristezas que a vida e a doença nos trazem nunca tenho razão de queixa, já que vivo rodeada por pessoas de quem gosto muito e que gostam muito de mim. É básico, já sei, mas é mesmo assim.

Portanto, fora os dois episódios de uma ida ao hospital da minha avó, só para ter a certeza de que uma queda não tinha sido nada, e o telefonema para a pediatra, devido a um belo susto (mas foi só susto) que a R. nos pregou, tudo perfeito.

Acampámos quinze dias seguidos, em maravilhosa companhia. Os quinze seguintes já implicaram ter de trabalhar um bocadinho, mas foram passados em família, com excelente tempo, casa cheia de miúdos, uma enorme confusão, tudo a opinar, a embirrar, a desembirrar, a brincar. Família no seu melhor, com tudo o que ela tem de bom.

Terminámos com mais uma peregrinação a pé, desta vez com um grupo muito querido, cheira-me que o hábito veio para ficar, enquanto tivermos pernas para isso.

O regresso, como se previa, foi muito violento, a trabalhar à bruta para cumprir prazos que são muito, muito apertados. Mas a fazer uma coisa de que gosto muito - projetos para o futuro. Estão tantas cartas dadas neste momento que já quase não me sobram no baralho. Vamos ver no que dá, se ganho alguma das mãos...

E, o mais importante, hoje é início de escola. O A. já está no ativo, a R. começa amanhã. Escola nova, escola grande, vida nova. Podia dar-se o caso de estar preocupada, mas não estou. Estou é muito orgulhosa, muito, muito. A miúda é tão impecável e está a tornar-se uma pessoa tão gira que às vezes até me custa acreditar que algo de tão bom acontece debaixo do meu teto.

Boa sorte e bom ano novo para todos!

Friday, July 26, 2013

Mariazinha

Esta música tem um refrão que sempre me confundiu, porque a história de Marta e Maria não é esta, ou é até um pouco ao contrário.

No entanto, gosto imenso dela e fica aqui hoje, a propósito de uma notícia que ouvi, que referia que Portugal é o país da Europa com mais mulheres doutoradas. Pode parecer que não serve para muito, mas serve. O futuro só será diferente se (também) as mulheres tiverem cada vez mais instrução.

Há quem já diga que eu sou uma chata com esta coisa das mulheres, mas é mesmo uma coisa em que acredito, que a tal "vontade, justiça e igualdade" de que a música fala têm de chegar a todo o lado - a casa, ao trabalho, aos namoros. Ou nada feito. Mas isto muda. Em surdina, mas muda.

Thursday, July 25, 2013

É um daqueles dias

Estou a precisar de férias, ó se estou, é a conclusão de hoje. As parvoíces acumulam-se e atingem níveis históricos.

1ª parvoice - depois de trabalhar toda a manhã numa apresentação, perdi o ficheiro. Perdi mesmo, não está com outro nome, nem nos temporários, nem sei lá o quê. Portanto, estamos numa tarde de repetição.

2ª parvoíce - graças à humidade com calor urbano, ainda não deixei de ter de por a bomba da asma todos os dias. Além da que uso sempre, tenho uma que uso quando a pieira aperta, intercalada com a outra. É daquelas onde se mete um comprimido, que depois a máquina perfura. Agora, adivinhem o que eu aspirei hoje com toda a força? Um comprimido de Imodium. Uma coisa é certa, os meus pulmões não vão ter diarreia.

Monday, July 22, 2013

Os testes psicotécnicos não prestam

Depois de uma semana em que me aconteceram uma série de coisas boas (revi amigos de longa data que não via há imenso tempo, estive com a família e os amigos no aniversário do M., fui finalmente à praia) a par com um correria louca de tarefas, reuniões, mails, telefonemas (onde coisas muito importantes ficaram mais uma vez pendentes, porque se meteram urgências à frente), fica-me - mais uma vez - a dúvida:

- Porque é que eu não posso ganhar a vida a fazer aquilo em que sou mesmo boa, que é estar com a família e os amigos a conversar, conversar, conversar?

Wednesday, July 17, 2013

O que é que fizeste ao cabelo, que está tão giro? - recado para a titi

Minha amiga F., como é que não me fizeste esta pergunta ontem, ao vivo? Tinha dado para mais uma hora de conversa... 

Bem, a verdade é que não fiz nada de especial além de deixar crescer, mais as madeixas do costume. Madeixas faço há uma data de anos e não me sinto nada a enganar-me a mim própria, até porque - se me trazem elogios na net - valem cada cêntimo que custam.

Agora, o que me deixou verdadeiramente impressionada foi:

a) saberes com exatidão a última vez que nos vimos. Mas vá lá, nesta tens desculpa, razões médicas, pronto. Eu lembro-me do sítio, o que já não é mau.

b) como, mas como, é que te lembras do momento exato em que nos conhecemos? Há para aí duas ou três pessoas no mundo das quais eu me lembro desses momentos exatos (e nenhuma delas é o meu marido, aviso já). 

Eu falo com alguma frequência de ti a terceiros (ainda hoje, ao almoço - "tenho uma amiga que há muitos anos que dá aulas no P. de B..."), estás imensas vezes presente nas conversas cá de casa e estou verdadeiramente chocada por não me lembrar nada de te ter conhecido e de não ter noção nenhuma de que não nos víamos desde 2011 (!!!). Mas quero muito retirar daqui alguma coisa de bom: para mim, a tua amizade é uma espécie de conversa contínua, sem princípio nem grandes interrupções (claro que estás proibida de por esta frase no Facebook acompanhada de animais ou corações).

E, já agora, também fiquei com uma pergunta por fazer: já leste alguma coisa da Dulce Maria Cardoso? Adoro a maneira dela escrever, adoro mesmo. O pior é serem tão tristes os livros. Não consigo parar de os ler, mas não retiro prazer da leitura.





Friday, June 28, 2013

My dear, we must, we should, we have to...

Há dias em que esta coisa de ter de escrever em inglês para portugueses lerem me irrita mesmo.

Tive a minha pequena vingança quando queria escrever "choice" e me saiu "coice"...

Monday, June 24, 2013

É minha!

A L. chegou logo à primeira hora do dia 16. É linda, linda, linda. O M., quando a viu, disse que era dele, mas garanto-vos que também é minha...

Wednesday, June 5, 2013

Falta de mérito pessoal e emocional? Trauma de infância?

Vocês sabem que eu não sou de violências, até sou conciliadora, pacífica e tal. Mas esta entrevista do Crato dá-me vontade de pegar numas pedras de calçada... porque este tipo nunca vai ser verdadeiramente responsabilizado pelos danos que causa. A pessoas. Daquelas verdadeiras, com emoções e inteligência, e não às pequenas máquinas que o seu imaginário desenha lá longe, muito longe, da realidade.

Monday, May 27, 2013

No zoo

Nunca fui apreciadora de padrões "tigreza", seja na verão zebra, tigre ou leopardo. Reconheço que há pessoas que até podem parecer elegantes com eles vestidos, mas a mim faz-me sempre lembrar um comentário da minha irmã quando, depois de ter ido a uma discoteca da moda, me dizia que a casa-de-banho mais parecia um jardim zoológico, tal era a concentração de padrões animais.

E, ainda por cima, parece que a utilização não se cinge à roupa e se estende para outros objetos (ou talvez seja ao contrário, e tenha migrado das malas e cintos para as camisolas de microfibra). É por isso que, um destes dias, iam duas senhoras à minha frente e as calças de uma eram iguizinhas ao saco das compras da outra...

Monday, May 20, 2013

Não tenhas medo, L.!


Gosto mesmo dos Deolinda. Gosto deles desde o início, mas o meu respeito e gosto pela sua música tem vindo a crescer a olhos vistos. A música que se segue é daquelas que sou capaz de passar horas seguidas a ouvir.

Vejo-a a acontecer à frente dos meus olhos sempre que vou às Terras da Costa, por causa do projeto Fronteiras Urbanas, onde caí de para-quedas e aterrei de coração.

E quando vejo a D. Vitória, que há uns meses nem sabia escrever o nome, a assinar e votar nas eleições para a Assembleia de Bairro fico comovida. A D. Vitória que, juntamente com algumas centenas de pessoas, vive em condições que não deviam ser permitidas em pleno século XXI, às portas de Lisboa. Que trabalha em campos regados com rega automática mas não tem água na sua casa, a dez metros de distância. Que tem sempre, mas sempre, um sorriso na cara.

Não consigo deixar de pensar que há um desconhecimento que leva ao medo. Como diz a música, há uma injustiça cega, triste, preconceituosa. Um grande momento do projeto foi quando o chefe da esquadra local lá foi fazer uma sessão de alfabetização. Sinto-me privilegiada por poder contribuir, à minha pequena escala, para algumas coisas que estão a mudar, para melhor. E, sinceramente, quem mais aprende sou eu, cada vez que lá vou.

E este é o post que ainda não estava feito, dedicado à L., que está para nascer e pode ter a certeza de que vamos fazer tudo para que ela cresça num mundo melhor do que este.




Medo de mim

Quando me queres incluir
e me pões a dormir
num bairro qualquer por ai

E a lição de bem-estar
é nao incomodar
quem veja incómodo em mim

Por mais passos que eu dê
mesmo sem querer
irei sempre bater
ou esbarrar contra ti

É teu o meu espaço
e p´lo teu embaraço
pelas portas d´aço
eu já percebi:

Tens medo de mim
Tens medo de mim
Tens medo de mim

Quando me vens revistar
só porque dou ar
de não ser daqui nem dali

E para me proteger
impões um poder
que não olha a meios pró fim

Todo o gesto que eu faça
é vil ameaça
que anulas e esmagas
e vejo assim

que a força que empregas
é injusta e cega
nao vê em quem acerta
e acertas em mim

Tens medo de mim
Tens medo de mim
Tens medo de mim

Quando me culpas e prendes
tudo porque entendes
que isso é melhor para mim
 
Eu, mesmo inocente,
sou sempre diferente
porque nao sou igual a ti

Agora, não entendo,
porquê este medo
brutal e tão extremo
que a ninguém faz crer

que estou na cadeia
porque a tua carteira
caiu, apanhei-a,
e quis devolver

Tens medo de mim
Tens medo de mim
e eu medo de ti

 

Monday, April 15, 2013

trezentos e tal graus

"360º - Ciência Descoberta é uma exposição sobre a ciência ibérica na época dos descobrimentos. Apresenta os desenvolvimentos científicos e técnicos associados às grandes viagens oceânicas de Portugueses e Espanhóis nos séculos XV e XVI, e o impacto que causaram na ciência europeia."

Parece giro para levar os miúdos, não parece? Em especial para a mais velha que se estreou este ano em História na escola e decorou tudinho. Pois, mas não é.

Não nego a qualidade das peças, o interessantíssimo programa de eventos, conferências, visitas guiadas, que acompanha a exposição, mas é completamente imprestável e desinteressante para levar crianças. A exposição é ao estilo de museu "tradicional", muito escura (mas eu adoro o estilo e admido que possa ser para proteger os mapas, pelo que isso foi o que menos me incomodou), as legendas são difíceis de encontrar e um bocado encriptadas (por exemplo, há uma enorme vitrina de animais que despertam a atenção dos miúdos, mas a legenda está longe e quase precisa de manual de instruções)  e - o que mais me irritou e eles não deixaram de comentar - não conseguem ver nada, porque está tudo exposto em vitrinas altíssimas para eles.

Em vão tentei motrar-lhes uma faca do tempo do Afonso Henriques e algumas preciosidades cartográficas. Salvou-nos a tarde o facto de os jardins terem sol e esconderijos, o rinoceronte e o crocodilo empalhados e o dente de narval. Mas, para isso, mais vale ir ao Jardim Zoológico (embora ver rinocerontes em Sete Rios também seja estranho).

E tenho pena, porque a Gulbenkian tem um excelente serviço educativo, atividades óptimas para escolas. Merecia uma museografia muito melhor, esta exposição.

Thursday, April 11, 2013

Esta canção é mesmo bomba

Descobri há pouco tempo os Diabo na Cruz, grupo de rock popular, e estou fã. Ora vejam lá esta.Gosto particularmente desta parte:

"Na parada dos heróis e vigilantes
era grande a afluência
Na parada dos culpados p'la desgraça 
ia um cão de duas patas
sozinho na penitência."

E não consigo deixar de me rir para dentro com o por do sol refletido nas traseiras do Smart...

Friday, April 5, 2013

Descratização já!

Hoje tive uma reunião na escola para (começar) a perceber aquilo a que os miúdos estão sujeitos este ano e estou que nem posso.

Primeiro, o exame (ao contrário das provas de aferição feitas antes) não é feito na escola dos alunos e sim numa escola central, do agrupamento. O que é normal em exames do secundário. Mas estes miúdos têm nove anos...

E como será a logística? Pois, ninguém sabe. Quem os leva, como se sentam (o mais certo é ser por ordem alfabética, numa sala cheia de miúdos que nunca viram, com um professor desconhecido a vigiar), como serão geridos os intervalos, como se vão orientar numa escola que não conhecem, normalmente muito maior do que a sua? Pois, ninguém sabe.

Mas sabe-se que a prova é feita obrigatoriamente com "caneta preta indelével" e que só podem levar o material para a prova e tem de ser em saco de plástico transparente com fecho!!

Ah, e já agora, quando se soube tudo isto? No último dia de aulas antes da Páscoa, à tarde. E quando é o exame? Daqui a um mês.

E a cereja no topo do bolo? Os professores que vigiam não podem ser do primeiro ciclo nem da área da prova, têm de ser do secundário e de outra área, não vá haver alguém que conheça o programa a vigiar provas, e é sabido que os professores do primeiro ciclo são seres menores e pouco sérios...

E nem vou entrar em aspetos pedagógicos, como miúdos de 9 anos terem de ouvir, antes da prova, quinze minutos de instruções lidas pelo vigilante, ou nos critérios de avaliação, que parecem feitos para pequenos criminosos, a precisar de ser severamente castigados.

Enfim, estou que nem posso. Será que conseguiremos descratizar brevemente?



Thursday, March 21, 2013

Férias

Por estes dias, os miúdos estão de férias em casa da avó e, de repente, é mais fácil levantar e sair de casa a horas, chega-se ao fim do dia e vai-se ao cinema ou manda-se uma mensagem ao marido a dizer "vou aqui ou ali e já venho", não se cozinha grande coisa, descansa-se, veem-se as séries de televisão de que se gosta... parece que daqui a uns anos, o futuro poderá ser assim. Ainda bem que ainda falta muito!

Wednesday, March 20, 2013

Melodias de sempre...


Hoje, enquanto trabalho, saltito de youtube em youtube e revisitei esta música do Serge Gainsbourg. Nunca tinha prestado atenção à letra e encantou-me descobrir os meandros dos desamores, tão datados (boeings, películas de 200 asa :-))e tão atuais. Já se sabe que adoro letras francesas e esta tem uma poesia particularmente melodiosa, cheia de trocadilhos deliciosos.
 


L'ANAMOUR


Aucun Boeing sur mon transit
Aucun bateau sur mon transat
Je cherche en vain la porte exacte
Je cherche en vain le mot exit

Je chante pour les transistors
Ce récit de l'étrange histoire
De tes anamours transitoires
De Belle au Bois Dormant qui dort

Je t'aime et je crains
De m'égarer
Et je sème des grains
De pavot sur les pavés
De l'anamour

Tu sais ces photos de l'Asie
Que j'ai prises à deux cents Asa
Maintenant que tu n'es pas là
Leurs couleurs vives ont pâli

J'ai cru entendre les hélices
D'un quadrimoteur mais hélas
C'est un ventilateur qui passe
Au ciel du poste de police

Je t'aime et je crains
De m'égarer
Et je sème des grains
De pavot sur les pavés
De l'anamour 

Thursday, March 7, 2013

Ai os entas!

Dado que sou míope desde os 8 anos, e nunca me incomodou ser caixa de óculos, até porque a minha passagem pelas lentes de contacto foi breve e atribulada (culminou com a oferta de umas descartáveis pela minha mãe, que não me deixou casar sem elas), usar óculos não é coisa que me incomode.

Mas eis que, anteontem, estava a fazer um exercício com os meus alunos com a Carta Militar e não consegui ver bem os símbolos... julgo que encolheram desde o ano passado.

Ah, então era isso...

Um destes dias, estávamos (eu e os miúdos) na mesa da sala, a ler e a desenhar e diz o A.:

- Nós cá em casa temos um passaporte?

- Eu e o papá temos, mas vocês não, porque nunca foram a um país onde fosse preciso.


(faz-se um silêncio)

- Então e um suporte (para livros)?


Monday, March 4, 2013

Os bês pelos vês ou os cês pelos pês?

Ontem, na catequese, dizia um miúdo: a minha tia tem de fazer o crisma. Pergunta outro: o que é o crisma? Diz um terceiro: é um sólido geométrico!

Friday, March 1, 2013

Gordos que percebem português...

A propósito deste post, da minha amiga F., no blogue coletivo já aqui anunciado, lembrei-me de uma história:

Nos idos anos oitenta, quando o mundo parecia muito maior e viajar era uma aventura familiar para a qual, de tempos a tempos, havia tempo e dinheiro, fizemos uma viagem de carro a Itália, ficando em vários parques de campismo, por essa Europa fora. 

Em Florença, ficámos num parque ótimo, fora da cidade, onde muitos alemães e italianos faziam férias. O parque tinha uma grande piscina e claro está que - com o calor do estio italiano - eu e a minha irmã quisemos dar um mergulho. A minha mãe, que nunca gostou de piscinas, não ficou assim muito entusiasmada com os banhos, mas o meu pai aproveitou para ir connosco refrescar-se. A piscina tinha dois espaços, um maior e outro pequeno, separados por um túnel, e foi na piscina mais pequena que se passou a cena que venho contar.

Estavam na tal piscina pequena dois miúdos portugueses (os únicos que vimos no parque para além de nós, diga-se) e eis que o meu pai de aproxima, atravessando o túnel. Diz um dos miúdos: "Agora vem para aqui este gordo!...", ao que o meu pai responde "Porquê? O espaço não te chega?".

Os miúdos fugiram, a correr (a nadar....).

Thursday, February 28, 2013

Acordai!

No fim de semana passado, a R. participou num festival de coros e o coro do Conservatório de Évora cantou esta magnífica música. Antes deste uso e abuso do Grândola dos últimos dias, o Acordai foi um dos motes de protesto contra o atual governo, mas parece que não teve força suficiente para se impor. Compreendo que os tempos verbais não são os mais fáceis e que "o povo é quem mais ordena" inflama mais os espíritos do que "Acendei, de almas e de sóis, este mar sem cais, nem luz de faróis", mas confesso que me assaltam muitas dúvidas nos dias que correm, nos slogans que correm e, em especial na forma como os ânimos se inflamam.

Não me compreendam mal, se dependesse de mim estes governantes não estavam lá, foi mesmo por isso que não votei neles. Partilho a raiva e a impotência que todos sentimos e tenho, em especial, um desprezo monunental por Miguel Relvas. Mas foi o povo que os lá pôs, certo? Podemos argumentar que não foi para isto que os elegeram (não sei de que estavam à espera, mas enfim...), mas foram mesmo eleitos, disso não temos dúvida. Eleitos, pacificamente e com uma abstenção vergonhosa.

Por isso me indignam os apelos à violência que circulam pela net. Por isso gosto muito mais do Acordai. Porque a luz ao fundo do túnel diminui e afasta-se e precisamos mesmo dos tais heróis de que o poema fala. E esses serão aqueles que consigam - em democracia - inventar um futuro melhor do que este. E não aqueles aspirantes a heróis para quem uma bastonada é uma medalha, desonrando o muito que apanharam e sofreram aqueles que lutaram para que esta democracia vingasse. 

Aproveito para lembrar que as autárquicas estão à porta e que este é o momento certo para que grupos de cidadãos se apresentem como alernativa.

 

 

Saturday, February 16, 2013

Maravilhosa revista, maravilhoso projeto

E tem um nome lindo: PAPEL

A propósito de faturas


Hoje fomos a uma loja aqui do bairro que vende jogos e brinquedos didáticos a preços amigáveis, e da qual eu tinha um vale de desconto, para comprar uma prendinha para uma festa a que os miúdos vão amanhã.

Depois de vermos os habituais jogos de cartas e kits de trabalhinhos, acabámos por escolher um estojo para lápis de cor feito de pano, daqueles à antiga, com muitas divisórias.

Quando vou pagar, a senhora pede desculpa e diz-me que tenho de pagar em dinheiro. "O valor é baixo", pensei eu. Mas não. O que ela me disse foi "É que sou eu que os faço e a dona da loja deixa-me vendê-los, mas não os posso registar na máquina".

E foi assim que deixei o talão de desconto para a próxima prenda e mergulhei alegremente na economia paralela. Ainda pensei fazer algum reparo, mas abstive-me. Porque me ocorreu uma frase lapidar: por estar e por outras é que Portugal nunca si da água, mas também nunca se afunda. Há sempre um recurso qualquer de imaginação e sobrevivência à espreita. O problema é que às vezes não são estojos mas contas na Suíça...

Tuesday, November 20, 2012

De maneiras que é assim

A minha amiga F tem uma parceria num blogue de tudo e nada. E como esses é que são bons, aqui fica o link: http://demaneirasqueeassim.blogs.sapo.pt/22212.html

Monday, November 12, 2012

Ao sul e ao norte



Aqui esta vossa amiga ganhou este ano (pela segunda vez consecutiva, ah pois foi :-)) o prémio do conto infantil do concurso de contos da Convenção de Bookcrossing. E não o digo (só) para me gabar, mas porque hoje ele vem MESMO a propósito e por isso o transcrevo aqui. Ora adivinhem lá quem inspirou as personagens...




PRINCESAS DO SUL E DO NORTE


Era uma vez um reino distante e sossegado, onde a vida avançava sem grandes sobressaltos (bem, havia alguns, mas os livros de história esqueciam-se deles com frequência) e – segundo vinha nos tais livros - o povo, os nobres, o clero e os comerciantes viviam em paz. Nos últimos tempos, também havia outras profissões, como banqueiros e informáticos, mas os livros de história esqueciam-se sempre deles.
Nesse reino, reinava – como é bom de ver – um rei. Era um rei bom (menos mau, diziam algumas línguas maldosas), que fazia o que podia para agradar a gregos e a troianos, que é como quem diz agradar aos povos do Norte e do Sul e aos seus ministros e conselheiros que, ultimamente, lhe davam valentes dores de cabeça. Mas enfim, puxando daqui, empurrando dacolá, o rei lá ia conseguindo a harmonia desejada. É verdade que, às vezes, vinham nos jornais umas histórias menos felizes, mas o rei fazia de conta que se esquecia delas.
Ora, o rei, além do reino, do povo, dos ministros, dos nobres, do clero, dos comerciantes, dos banqueiros e dos informáticos, tinha também duas filhas, as princesas Ângela e Patrícia. Os ministros tinham dito que Ângela e Patrícia não eram nomes de princesas, mas a rainha – que habitualmente se esquecia de tudo menos das suas aias e vestidos – dessa vez fora inflexível. Desde pequena que dizia que, se tivesse filhas, se iriam chamar Ângela, em homenagem a uma personagem de uma fotonovela da sua infância, e Patrícia, o nome de uma amiga da escola primária. E Ângela e Patrícia ficaram.
As princesas eram tão diferentes como duas gotas de água e azeite. Ângela sabia sempre o que queria e a que horas e não ficava satisfeita enquanto não tivesse todos os que a rodeavam a trabalhar para ela (e achava sempre que os coitados trabalhavam pouco). Patrícia nem sempre sabia o que queria, embora soubesse sempre o que não queria, e gostava de trabalhar, mas também gostava de se esticar ao comprido na relva do palácio, depois de um belo ensopado de borrego a – como ela dizia – “viver um bocadinho” (Ângela nunca almoçava, comia uma sanduíche de queijo enquanto vigiava as suas aias, para ter a certeza de que todas cumpriam – à hora certa – as ordens que lhes dava).
As duas irmãs cresceram fortes e saudáveis, mas cada vez mais diferentes. O rei, que se preocupava com estas duas filhas com personalidades tão opostas, e percebendo que não seriam capazes de partilhar o mesmo reino, casou-as com dois príncipes bons e generosos, mandou fazer obras em dois dos seus palácios e deu a cada princesa uma parte do seu reino: a Patrícia, as terras do Norte e a Ângela as terras do Sul. Pensou o rei, ajudado pelos seus ministros e conselheiros, que, sendo Ângela tão trabalhadora e pontual, seria uma boa rainha para os povos do Sul, já que estes eram conhecidos por serem preguiçosos e se atrasarem sempre para tudo. E, de facto, assim foi. De igual forma, pensou que aos povos do Norte, sempre cumpridores, pontuais e pouco sorridentes, conviria uma rainha que soubesse apreciar as coisas boas da vida com um sorriso nos lábios. E assim foi.
O problema é que Ângela nunca estava contente. Queria sempre mais. Mais impostos, mais súbditos, mais terras, mais palácios. E o pai, julgando fazer-lhe bem, dava-lhe tudo o que ela pedia.
Até certo dia.
Nesse dia, havia uma festa de inauguração do mais recente palácio de Ângela (o maior e mais luxuoso que se tinha visto por aquelas paragens). A princesa vagueava de sala em sala, procurando (e achando) defeitos em tudo – era a obra que estava atrasada, era o chão que não estava como ela queria, era a casa de banho… quando chegou à casa de banho, Ângela deu um grito:
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!
- O que foi, filha? – perguntou o rei, julgando que lhe estava a dar qualquer coisinha má.
- Não estão cá as torneiras que eu escolhi – gemia e gritava Ângela – e eu quero TUDO, TUDO, TUDO como eu mando.
Foi nessa altura que o rei (um homem tão calmo que já ninguém se lembrava da última vez que se tinha exaltado) olhou para a filha e a viu feia, tão feia, tão feia, à luz de um esplendoroso sol de fim de tarde, que agarrou a barba com toda a força (o ministro, que estava ao seu lado, diria mais tarde que pensou que ele a ia arrancar), encheu o peito de ar e gritou com voz de trovão:
- ACABOU! Quem tudo, tudo, tudo quer – já dizia a minha avó, a rainha Pulquéria Belarmina – tudo, tudo, tudo perde. Ângela, vai imediatamente para o palácio do Norte, onde vive a tua irmã, e diz-lhe que venha ela tomar conta das terras do Sul! O ministro ainda abriu a boca para dizer que talvez não fosse uma decisão prudente, mas lembrou-se a tempo de que um rei de cabeça perdida pode dar ordens imprevisíveis e, não fosse ele mandá-lo também para as terras frias, tristes e pontuais do Norte, fechou-a mesmo a tempo.
E foi assim que a princesa Patrícia, rumou com grande alegria às terras do Sul. Embora, como seria de esperar nela, se tivesse habituado às brumas e à pontualidade nórdicas com um sorriso, percebeu, assim que chegou e foi recebida com um belo ensopado de borrego, que estava fartinha de almoçar sanduíches de queijo (mesmo sendo servidas à hora certa) e abraçou o seu novo reino com o entusiasmo que sempre punha nas coisas boas da vida.
Quanto à princesa Ângela, os livros de história não contam exactamente o que lhe aconteceu. Mas os mais velhos falam ainda hoje de uma princesa que desenvolveu muito o reino do Norte, pondo todos a trabalhar com afinco, mas que todos os dias, exactamente à uma e trinta e cinco da tarde (depois de almoçar uma sanduíche de queijo), se fechava nos seus aposentos a chorar com saudades do cheiro a sardinhas assadas servidas à beira das praias do Sul. Chorava, chorava, chorava. Mas só até à uma e quarenta e dois. À um quarto para as duas recomeçava a reinar.

FIM